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Transportes metropolitanos e socioambiente


Estação USP-Leste
Foto: Jair Pires

Sessenta por cento da população do planeta vive em áreas urbanas, concentração que exige esforços cada vez mais complexos para garantir qualidade de vida para todos. Às demandas por condições sociais mínimas, como moradia, emprego, educação, saúde e segurança, juntou-se uma maior preocupação com a sobrevivência ambiental do planeta, perpassando todas as atividades sociais e econômicas, inclusive o transporte. Com o aumento dos conglomerados urbanos, o que surgiu como preocupação ambiental difusa, no final dos anos sessenta, tornou-se pauta centralhoje entre os gestores e planejadores das cidades.

Sustentabilidade é o tema deste século. O brasileiro já demonstra preocupação e já desenvolve algumas práticas ambientais, como reciclagem de lixo, conservação de árvores, controle de desperdício de água. Mas, há ainda uma distância entre a intenção, pontual, e a ação coletiva planejada e organizada. Neste aspecto, cabe às empresas liderar este processo, ao internalizar em suas dependências as práticas sustentáveis e torná-las um exemplo educativo para a população.

Estruturalmente, o sistema sobre trilhos já é menos poluidor que outros meios, pois usa energia elétrica para a tração. Mas, além disso, no conjunto das ações das empresas de transporte – desde o planejamento, projeto, construção, operação e manutenção – estão em desenvolvimento várias práticas sustentáveis que tornam Metrô, CPTM e EMTU/SP empresas social e ambientalmente responsáveis. Como são equipamentos coletivos de uso de grande parte da população, estas iniciativas são também uma forma de educação ambiental.


Foto: Izan Peterle

Destacamos aqui algumas iniciativas, ações e projetos:

Formalizando a responsabilidade pelo meio ambiente na estrutura da STM

O Decreto nº 55.564, de 15 de março de 2010, formaliza, no âmbito da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, o cuidado com as questões ambientais. O Decreto delega, à Coordenadoria de Relações Institucionais – CRI, as ações técnicas e administrativas junto à Secretaria do Meio Ambiente – SMA e demais órgãos ambientais federais, estaduais e municipais, pertinentes à gestão ambiental de programas e projetos que tenham relação com o transporte metropolitano. Esta medida completa o quadro institucional necessário para que o cuidado com as questões ambientais esteja presente em todas as ações do transporte metropolitano, uma vez que as três empresas vinculadas já dispõem de áreas específicas neste sentido.

Compensação ambiental das obras de modernização da CPTM recupera 61 hectares na região de Caieiras

A CPTM está modernizando suas linhas, com o objetivo de que estas tenham os mesmos parâmetros operacionais do Metrô de São Paulo. As medidas incluem processos de reconversão urbana das estações, cujo desenho implica relações mais coerentes entre o uso e ocupação do solo urbano e o transporte público. As obras de modernização na Linha 7-Rubi incluíam a construção de um viaduto em Caieiras para o qual foi necessária a derrubada de árvores. A título de compensação ambiental por tal ação, a CPTM acordou com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente - SMA um programa de intervenções para a recuperação de área total de 34,4 ha, no Parque Estadual de Juquery, e implantação de um parque urbano de 26,6 ha, na cidade de Caieiras. Coube à CPTM, no acordo, elaborar o projeto executivo do ecoparque de Caieiras.

As intervenções do Programa de Compensação Ambiental potencializam seus efeitos ambientais e urbanísticos, pois: aumentam a conectividade entre os remanescentes de mata nativa, o que restabelece o fluxo gênico da fauna e da flora, favorecendo sua sustentabilidade; e melhoram o relacionamento da cidade com o sistema ambiental dominante, além de resgatar bens isolados, ampliando as opções de lazer e aprimorando a qualidade de vida na região.

Parque Estadual do Juquery:

Abrange:

  • o reflorestamento e enriquecimento da vegetação com árvores nativas em áreas degradadas do parque incluindo o único remanescente de cerrado na RMSP;
  • a instalação de viveiro florestal e o reflorestamento e enriquecimento da mata ciliar em faixa de 50 m correspondente às áreas de preservação permanente ao longo de ambas as margens do rio Juquery;
  • e elaboração do projeto básico do ecoparque linear de Caieiras.

Ecoparque linear de Caieiras: É um conjunto integrado de projetos, planos e programas de recuperação ambiental e histórica com implantação de espaços e edificações adequadas aos desejos de desenvolvimento pleno para Caieiras e região, que amplia seu leque de ações pelo “colar ferroviário” existente no contexto da bacia do Juquery. Na área recuperada, será implantado gradualmente, pela Prefeitura de Caieiras, um ecoparque com três núcleos localizados na várzea, interligados pelos eixos viários principais e por uma nova ciclovia ao longo da rodovia Tancredo Neves.

Um núcleo histórico e cultural composto pela antiga Estação de Trem (1883) e as instalações da Cia. Melhoramentos (1887) restauradas, integrados a novo viaduto rodoviário e nova estação, abrigarão ainda um museu, uma sala de orquestra, um teatro de dança, acessíveis por praças e caminhos, redefinindo a relação entre meio ambiente, ferrovia e cidade. Foram projetados também um núcleo de eventos e um núcleo esportivo com equipamentos de recreação e lazer em torno do existente velódromo municipal.

Em operação o primeiro ônibus a hidrogênio da América Latina

Com a participação do Ministério das Minas e Energia, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e recursos financeiros do Global Environment Facility (GEF), está sendo desenvolvido o projeto do ônibus brasileiro a hidrogênio, já em testes. A EMTU/SP coordena o projeto e é responsável pela operação do protótipo.

O processo de propulsão do veículo ocorre quando o hidrogênio armazenado nos tanques do ônibus é introduzido na célula a combustível. Lá ocorre um processo eletroquímico que produz energia elétrica por meio da fusão do hidrogênio com o oxigênio do ar, liberando água como subproduto. O sistema não produz nenhum tipo de poluente. O ônibus é híbrido (célula a combustível a hidrogênio + três baterias de alto desempenho) e possui autonomia de rodagem de 300 km com o uso do hidrogênio. O projeto inclui a instalação de uma estação de produção e abastecimento de hidrogênio em São Bernardo do Campo (SP), na garagem da concessionária Metra.


Foto: Milton Michida

ConscientizAr

A EMTU/SP implantou, em 2008, um programa de controle de emissão de poluentes nos ônibus intermunicipais dos sistemas regular e de fretamento, através do opacímetro, que mede a emissão de fumaça preta. As fiscalizações visam, além de manter o material rodante em condições ambientalmente seguras, a conscientização das operadoras das três regiões metropolitanas do Estado para as consequências da emissão descontrolada de poluentes.

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL

Este é um dos mecanismos criados pelo Protocolo de Quioto para auxiliar o processo de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) ou de captura de carbono. As empresas podem implementar projetos que contribuam para o desenvolvimento sustentável e que apresentem redução ou captura de emissões de GEE, obtendo as Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) que podem ser negociadas no mercado global.

Quanto melhor o transporte sobre trilhos – não emissor de GEE – maior sua capacidade de atrair mais usuários do transporte individual – emissor de GEE. Para medir essa redução de emissão, obtida com investimentos em ampliação e modernização da rede na RMSP, a STM está contratando empresas para desenvolvimento de metodologias, monitoramento e concepção de projetos de MDL que permitam certificar as reduções de GEE resultantes da mudança nos modos de transporte.

Estações verdes

Muitas das estações do Metrô e da CPTM já incorporaram algumas práticas de sustentabilidade, como reuso de água, reciclagem de lixo, torneiras temporais ou com acionamento automático, entre outras.


Estação Butantã do Metrô


Estação Pinheiros do Metrô

Além dessas medidas, a CPTM está em processo de certificação Leed da estação USP-Leste, na linha 12-Safira. Leadership in Energy and Environmental Design – Leed é uma certificação para edifícios que apresentem alto grau de sustentabilidade, concebida e concedida pela ONG americana U.S. Green Building Council (USGBC), de acordo com os critérios de racionalização de recursos ambientais (energia, água etc.) consumidos por um edifício. Atualmente, já possuem ou estão em fase de aprovação do selo cerca de 14 mil projetos, sendo que a CPTM será a primeira empresa do setor de transporte a receber tal certificação, que traz benefícios ambientais e financeiros e dá, à empresa, status de qualidade empresarial reconhecido mundialmente. Por ser voluntária, a certificação demonstra o compromisso da CPTM com a gestão ambiental e responsabilidade social.

No Metrô a preocupação ambiental pode ser vista na estação Alto do Ipiranga, na linha 2-Verde. Situada a 25 metros abaixo do nível da rua, teve processo construtivo que permitiu economizar recursos nas desapropriações de áreas para sua construção. O corpo principal da estação é coberto por uma cúpula com 18 metros de diâmetro e 9 metros de altura, em vidro especial, que permite iluminação e ventilação naturais, possibilitando economia de 50% nos custos de implantação e manutenção. A estação tem ainda pintura especial contra fogo, e está equipada com 10 escadas rolantes “inteligentes”, que funcionam com velocidade reduzida quando não está sendo usada, de forma a economizar energia.

As novas estações Pinheiros e Butantã da linha 4-Amarela também seguem a direção da sustentabilidade. A primeira tem suas áreas de acesso totalmente iluminadas pela luz natural vinda da cobertura transparente. A segunda tem também fechamento em vidro, o que valoriza o uso de iluminação e ventilação naturais. O mezanino metálico preso ao teto por tirantes e suspenso sobre plataformas, empregado na estação Alto do Ipiranga, é também utilizado na linha 4-Amarela. A solução, importada de Bilbao, na Espanha, proporciona melhor distribuição dos passageiros nas estações, além de ser uma novidade atrativa.

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Jumi.