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Coletivo Estopô Balaio encena dois espetáculos nas linhas 10-Turquesa e 11-Coral
29/11/2017

Nesta quarta e quinta-feira, dias 29 e 30/11, os usuários das linhas 10-Turquesa e 11-Coral terão uma oportunidade rara: assistir um espetáculo teatral encenado durante a viagem no trem. Trata-se do projeto “Nos trilhos abertos de um leste migrante”. Idealizado pelo coletivo Estopô Balaio, o projeto é composto por dois espetáculos: “A velhice” e “A vida adulta, a mulher”.

Na quarta-feira (29), na linha 10-Turquesa, haverá sessões às 10h e às 15h, da peça “A velhice”. A peça narra a história do Sr. Vital, que nasceu em Mariana (MG), e, em 1964, veio tentar a sorte na famosa capital paulista. Aqui, trabalhou em diversas metalúrgicas, no período em que o sindicalismo era bastante forte. Vital testemunhou as lutas e os desdobramentos trabalhistas da época. Mas seu sonho sempre foi tocar sanfona. A encenação mostra as dificuldades enfrentadas por ele para realizar esse sonho.

Já na quinta-feira (30), às 10h e às 15h, será a vez da montagem “A vida adulta, a mulher”. A narrativa conta a história da pernambucana Janaína, que durante a infância sofreu diversos abusos e aos 15 anos foi obrigada a se casar. Por 18 anos, a jovem conviveu com o marido que a agredia fisicamente e chegou até a ser hospitalizada. Com o incentivo dos filhos, Janaína se libertou do relacionamento e veio para São Paulo, onde mora há seis anos. A peça retrata um sonho que ela não pôde realizar: sua festa de 15 anos. A viagem com destino a Guaianases, é para buscar o bolo de aniversário e festejar com o público na própria estação de trem. 

As apresentações começam no Espaço Cultural da estação do Brás. De lá, os artistas e os usuário embarcam no trem e a montagem é encenada durante todo o trajeto. Para participar da viagem teatral os interessados devem se inscrever pelo e-mail reservas@coletivoestopobalaio.com.br e chegar à estação Brás, com 30 minutos de antecedência. O grupo tem espetáculos programados até o dia 14 de dezembro.

Sobre o projeto: Durante 24 meses, os artistas do grupo teatral ouviram os relatos dos usuários que, devido à distância, sentiam falta de familiares e amigos. Muitos deles, sem saber ler e escrever, recorriam aos atores que se disponibilizavam nas estações para escrever cartas voluntariamente aos entes queridos, amenizando assim a saudade.

Nesses momentos, a conversa se estendia além dos textos das cartas, normalmente carregada de lembranças, às vezes boas, outras ruins, mas sempre cheia de emoções. Essas histórias foram transformadas em arte e poesia pelo Coletivo Estopô Balaio, que agora devolvem os relatos em forma de peça teatral para o público inspirador.

Com o olhar atento às manifestações de dança de rua, grafite e outras intervenções culturais, o Coletivo Estopô Balaio tem residência artística no Jardim Romano e conta com a participação de artistas migrantes, que ajudam a resgatar as experiências e memórias desta comunidade da zona leste. O coletivo é vencedor do Prêmio Rumos, do Itaú Cultural, entre outros prêmios.